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crimes de apropriação indébita, estelionato, organização criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro durante a gestão de 2015/16 do Inter.

Uma operação do Ministério Público deflagrada na manhã desta quinta-feira apura crimes de apropriação indébita, estelionato, organização criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro durante a gestão de 2015/16 do Inter. A Polícia Civil cumpre 20 mandados de busca e apreensão em residências de dirigentes supostamente envolvidos e sedes de empresas em Porto Alegre, Eldorado do Sul e Viamão.
Os investigados são o ex-presidente Vitorio Piffero, o ex-vice de finanças Pedro Affatato, o ex-vice de administração Alexandre Limeira, o ex-vice de Patrimônio Emídio Marques Ferreira, o ex-vice de futebol Carlos Pellegrini e o ex-vice jurídico Marcelo Domingues de Freitas e Castro. Também são investigados empresários de futebol, além de pessoas vinculadas a empresas de construção civil, de turismo e de contabilidade.
MP cumpre mandados de busca e apreensão em residências de ex-dirigentes do Inter — Foto: Marjuliê Martins/MPRS
Pedro Affatato
Segundo as investigações do MP, a principal fonte de fraudes e desvios contra o clube foi a retirada de valores em espécie da tesouraria pelo vice de finanças Pedro Affatato. Os valores foram alegadamente utilizados para o pagamento de obras para empresas de construção civil e prestação de serviços: os chamados adiantamentos.
Foram cerca de R$ 10 milhões entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, retirados diretamente pelo dirigente e depois comprovados por meio de notas fiscais de obras que não foram realizadas, apesar de atestadas por Emídio Ferreira, ou superfaturadas. Segundo análise técnica realizada pelo Ministério Público, de 165 notas analisadas, oriundas de nove empresas, pelo menos 94% revelaram obras não executadas, executadas parcialmente ou com sobrepreço.
A investigação aponta que houve depósitos de valores idênticos ou semelhantes para uma empresa do próprio Affatato logo deposi da retirada dos valores. Entre as obras não realizadas estão procedimentos no CT de Guaíba. O local é atualmente uma área sem infraestrutura e com vegetação nativa.
Mesmo depois de alterada a forma de pagamento das supostas obras, a partir de fevereiro de 2016, o MP apurou que parte dos valores destinados às prestadoras de serviços de construção civil era posteriormente transferida para empresas relacionadas a Pedro Antonio Affatato e Emídio Marques Ferreira. Affatato também é apontado por receber valores de agência de turismo, no curso da gestão 2015/2016, como contrapartida ao superfaturamento na prestação de serviços de turismo ao Sport Club Internacional.
Carlos Pellegrini
O MP descobriu que negociações e renovações com atletas que normalmente não seriam realizadas, pelo menos nos patamares econômicos constatados, foram efetivadas sob os cuidados de Carlos Pellegrini mediante prévio ou posterior repasse de valores. Logo depois de algumas negociações serem concluídas, os empresários dos atletas efetuavam, como recompensa, repasses financeiros ao dirigente.
Em outras oportunidades, os empresários adiantavam valores a Pellegrini, para, em seguida, concluir os negócios envolvendo atletas por eles agenciados. Nas duas situações, sempre era o clube que arcava com o prejuízo, ou contratando atletas que jamais seriam contratados nas condições que foram, ou embutindo no preço pago pelo jogador os valores repassados aos dirigentes.
Foram apuradas possíveis irregularidades em contratações/renovações de inúmeros atletas, cujas negociações foram intermediadas, entre outros, pelos empresários investigados.
MP aponta irregularidades em contratos assinados por Pellegrini — Foto: Tomás Hammes
Marcelo Domingues de Freitas e Castro
Marcelo Castro exerceu a função de vice-presidente Jurídico entre janeiro e agosto de 2015. Nesse período, as investigações do MP apontam que ele recebeu parte de valores oriundos de acordos trabalhistas firmados com atletas, além de outros negócios relacionados ao clube, por meio de triangulações de depósitos que envolveram diversas empresas utilizadas por ele para possível lavagem de dinheiro. Uma dessas empresas também realizou depósitos para Limeira, Pellegrini e Piffero, alguns antes mesmo de assumirem a gestão.
Alexandre Limeira
Foi apurado que, por intermédio de uma empresa em seu nome, atuou como operador financeiro do grupo, como intermediário de valores posteriormente repassados, desde antes da gestão, para Vitorio Piffero e Carlos Pellegrini, vinculados à atuação de um empresário envolvido, logo no início da gestão, na contratação de um atleta pelo clube. Também foi destinatário de valores provenientes de Marcelo Castro.
MP investiga ex-dirigentes da gestão Piffero — Foto: Diego Guichard
Vitorio Piffero
As suspeitas acerca da atuação de Vitorio Carlos Costi Piffero, presidente do Sport Club Internacional no biênio 2015/2016, dizem respeito a sua condição de gestor principal e de efetiva participação em todos os setores do clube, com pleno domínio gerencial e funcional de todos os fatos praticados pelos demais dirigentes. Para o MP, ele tinha o efetivo domínio dos acontecimentos, especialmente aqueles relacionados aos adiantamentos tomados por Affatato e às negociações de atletas realizadas por Pellegrini.
Em relação, por exemplo, aos adiantamentos efetuados por Pedro Antonio Affatato de cerca de R$ 10 milhões, além do natural conhecimento decorrente de sua função de gestor principal do clube, o então presidente Vitorio Piffero tinha ciência expressa e específica da preocupação do Conselho Fiscal do Inter acerca do assunto, nada fazendo de eficaz em relação a tal prática.
Fonte: Globoesporte.com

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